A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que regula a pós-graduação no Brasil, anunciou uma reavaliação significativa em seu modelo de classificação da produção científica. A partir do ciclo de 2025 a 2028, a Capes irá focar na qualidade dos artigos publicados, abandonando a antiga prática de avaliar o impacto da revista onde os trabalhos foram publicados. Essa mudança busca corrigir distorções que privilegiavam periódicos de alta reputação, independentemente do valor acadêmico dos artigos que eles publicavam, promovendo um ambiente mais equitativo e incentivando a produção científica de qualidade.
Mudança nas regras de avaliação da produção científica
A nova diretriz da Capes para a avaliação da produção científica sinaliza uma transformação profunda na maneira como os artigos são considerados na comunidade acadêmica. A avaliação que antes se baseava na reputação dos periódicos, agora se focará nas características intrínsecas de cada artigo, reconhecendo a qualidade e a relevância do conteúdo em vez do prestígio do veículo onde foi publicado.
Esse movimento é, sem dúvida, uma resposta a uma crítica ampla sobre as limitações do sistema anterior, que era suscetível a distorções. Com o antigo método, o valor de um artigo poderia ser subestimado se publicado em revistas menos reconhecidas. A nova abordagem busca equiparar o campo de batalha acadêmico, permitindo que mesmo as vozes emergentes, que frequentemente publicam em periódicos de menor prestígio, sejam ouvidas.
A mudança permitirá que os pesos de avaliação sejam mais justos, promovendo a diversidade de publicações e ampliando as chances de revisão por pares de qualidade. A partir de agora, o foco se desloca para o artigo, reconhecendo suas peculiaridades e méritos individuais.
A importância da nova abordagem na qualidade dos artigos
A reforma das avaliações da Capes não se resume apenas a uma mudança de foco, mas reflete uma compreensão mais profunda do que significa produzir ciência de qualidade. O novo enfoque propõe que a qualidade dos trabalhos deve ser priorizada, criando uma cultura em que a produção acadêmica possa ser mais inclusiva e representativa de uma multiplicidade de pesquisas e abordagens.
Essa mudança será um passo crucial para rejuvenescer o ecossistema da pesquisa no Brasil. Ao destacar a relevância do conteúdo dos artigos, a Capes incentiva os pesquisadores a se concentrarem na substância de seus trabalhos, e não apenas na estratégia de publicação. Para a comunidade científica, isso pode gerar um efeito cascata, onde os pesquisadores se sentirão impulsionados a desenvolver estudos que realmente impactem a sociedade.
Além disso, a nova abordagem poderá diminuir a pressão em torno das publicações, permitindo um fluxo mais saudável de ideias e inovações. Se, por um lado, a alta competição por publicações nas revistas de fator de impacto elevado levou a uma cultura de “publicar ou perecer”, por outro lado, essa nova política pode fomentar uma perspicácia acadêmica que resulta em debates mais construtivos e em um compartilhamento de conhecimento que realmente beneficia a sociedade.
Impactos esperados na pesquisa e na produtividade científica
Com a nova classificação proposta pela Capes, espera-se um grande impacto positivo na produtividade científica. Ao despriorizar o fator de impacto dos periódicos, os pesquisadores poderão se sentir mais encorajados a submeter seus trabalhos a revistas adequadas à sua área de especialização, sem se preocupar tanto com a visibilidade dessas publicações.
Essa abertura não só pode aumentar a quantidade de pesquisa realizada, mas também a sua qualidade. A possibilidade de ter um artigo avaliado em seus próprios méritos, em vez de ser proporções de um periódico, pode levar a uma diversidade maior de tópicos e metodologias, refletindo uma ciência mais abrangente e inclusiva.
Além disso, a Capes espera que essa mudança favoreça a produção de artigos com acessibilidade aberta, promovendo um maior compartilhamento de conhecimento. O acesso aberto é um movimento crescente na academia, que visa democratizar o acesso ao conhecimento científico, e ao priorizar a qualidade dos artigos, a Capes cria um panorama que pode facilitar ainda mais esse acesso.
Críticas ao antigo sistema de avaliação baseado no Qualis Periódicos
A adoção do sistema Qualis Periódicos tem sido alvo de críticas por muito tempo, com pesquisadores apontando que ele falhou em capturar a verdadeira natureza da qualidade científica. Um dos maiores problemas é que a avaliação baseada em periódicos frequentemente encorajou uma “publicação em massa”, onde a quantidade de artigos superava a qualidade real do conteúdo produzido.
Ademais, esse sistema muitas vezes privilegiava publicações em inglês e em periódicos internacionais, marginalizando vozes importantes da ciência brasileira. Muitos periódicos locais, que poderiam trazer inovações e insights valiosos, eram relegados a uma posição inferior apenas por não possuírem o mesmo prestígio nas páginas internacionais. O que se viu foi uma homogeneização da pesquisa, onde ideias podem não ter tido a chance de florescer.
Os críticos também mencionaram que a pressão por publicações em revistas de alto impacto contribuiu para práticas antiéticas, como plágio e publicação dupla, além de forçar o fortalecimento de redes de pesquisa elitistas. Essa mudança de paradigma da Capes que prioriza a qualidade pode, finalmente, começar a corrigir esses problemas estratificados, abrindo espaço para uma revisão mais justa e equilibrada da produção intelectual.
Entendendo os novos critérios de avaliação propostos pela Capes
Ao reestruturar os critérios de avaliação de produção científica, a Capes apresentou três procedimentos cruciais que guiarão a nova classificação dos artigos. Vamos entender melhor como funcionam esses novos critérios.
O primeiro critério reforça que, apesar da descontinuação da classificação de periódicos, os artigos ainda serão avaliados com base em vínculos com revistas de qualidade, refletindo os indicadores bibliométricos dos veículos. Esse caminho mantém um canal de legitimação baseado no desempenho histórico das publicações, mas o foco, sem dúvida, recai sobre as características dos artigos.
O segundo critério introduz a coleta de dados a partir dos próprios artigos. A avaliação considerará métricas como o número de citações realizadas por outros trabalhos, um indicador significativo da influência e relevância acadêmica de um artigo ao longo do tempo.
Por último, a nova metodologia prevê uma avaliação qualitativa do conteúdo, abrangendo fatores que alinham relevância, inovação e impacto civilizacional, o que promete enriquecer ainda mais a análise da produção científica.[fonte](https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/capes-adotara-classificacao-de-artigos-na-avaliacao-quadrienal)
Quais são as perspectivas para as revistas científicas brasileiras?
A nova abordagem da CAPES representa um divisor de águas para as revistas científicas brasileiras. Ao priorizar a qualidade dos artigos em vez do impacto do periódico, as revistas locais têm a chance de brilhar, independentemente de seu histórico ou reconhecimento internacional. Essa mudança convida à reflexão: se, até então, a fama era a moeda corrente no mundo dos estudos acadêmicos, agora, o valor real se revela no conteúdo. O edificado de uma produção científica robusta depende, claro, da produção de conhecimento útil e relevante. Com essa mudança, é possível que revistas nacionais, que muitas vezes ficam à sombra de seus pares do exterior, comecem a receber a atenção que merecem.
Com a possibilidade de artigos originais e de relevância serem classificados como de alta qualidade em revistas locais, observa-se um potencial aumento na submissão e, consequentemente, na diversidade de pesquisas publicadas. É um ciclo de feedback positivo que pode, sem dúvida, elevar o padrão da pesquisa brasileira, promovendo um ambiente propício para a inovação e o desenvolvimento científico.
A opinião de especialistas sobre a mudança na avaliação
Especialistas em avaliação acadêmica e pesquisadores têm manifestado opiniões diversas sobre a nova proposta da CAPES. Enquanto muitos celebram a iniciativa como um avanço significativo na produção científica nacional, outros expressam preocupações. A valorização do conteúdo e a possibilidade de que trabalhos de alta qualidade sejam reconhecidos, independentemente de onde foram publicados, são pontos de grande entusiasmo. Abel Packer, diretor do portal SciELO, afirma que a mudança vai ao encontro de um anseio antigo da comunidade científica: focar na qualidade do artigo ao invés de seu veículo de publicação.
Entretanto, há críticas e dúvidas sobre a eficiência das novas métricas e se elas serão suficientes para garantir uma avaliação justa e precisa. A tensão entre manter padrões e garantir a inclusividade e diversidade na pesquisa é uma discussão acalorada entre acadêmicos. Assim, a transição para este novo sistema requer transparência e diálogo constante para assegurar a aceitação e sucesso nas comunidades acadêmica e científica.
Comparativo com os custos de publicação em periódicos internacionais
Outro aspecto a ser considerado é o custo de publicação em periódicos internacionais comparados aos nacionais. Publicar em revistas renomadas no exterior pode ter um custo elevado, frequentemente superando dezenas de milhares de reais. Para efeito de comparação, o valor para publicar na revista Nature, por exemplo, pode ultrapassar R$ 70 mil. Por outro lado, a publicação em revistas brasileiras, especialmente aquelas indexadas na SciELO, divulga custos substancialmente menores, variando entre R$ 1.700 e R$ 11.500, dependendo da taxa de publicação e acesso ao conteúdo.
Com a mudança das diretrizes da CAPES, é de se esperar que muitos pesquisadores considerem mais viável e atraente a publicação em revistas locais, uma vez que seus trabalhos terão a chance de serem julgados de forma justa e sem o viés do prestígio da revista. Assim, a economia gerada nos custos de publicação pode redirecionar investimentos para outras áreas da pesquisa, promovendo uma ciência mais independente e acessível.
Desafios para a implementação das novas regras
Embora a nova abordagem da CAPES traga promissoras perspectivas, os desafios de sua implementação não podem ser ignorados. A necessidade de ajustar os métodos de avaliação requer um planejamento meticuloso e a colaboração de todas as partes envolvidas na pesquisa acadêmica. Uma questão crucial é a formação e capacitação de avaliadores para que possam aplicar os novos critérios de forma eficaz.
Além disso, a própria adaptação das revistas para se enquadrar nas exigências da nova avaliação pode ser um obstáculo. Algumas publicações poderão precisar rever seus critérios de aceitação e revisão, enquanto outras poderão ter que ajustar suas metas para se alinhar à mudança de foco. A convergência necessária entre a produção científica e as expectativas dessas novas diretrizes será um processo que exigirá tempo e ajustes.
O futuro da ciência e da educação no Brasil com essa mudança
Se as expectativas forem cumpridas, o futuro da ciência e da educação no Brasil poderá ser mais promissor. Ao reconhecer a qualidade dos artigos em vez do prestígio dos periódicos, há um potencial para democratizar o acesso à produção científica. Essa mudança pode inspirar novas gerações de cientistas a contribuírem com suas pesquisas sem o medo de não serem aceitos simplesmente pela revista em que querem publicar.
Além disso, a expectativa é que essa valorização leve a um aumento na diversidade e na inclusão em áreas da ciência que tradicionalmente têm sido menos representadas nos periódicos de topo. A produção científica poderá finalmente refletir uma sociedade mais plural, enriquecendo as perspectivas acadêmicas e abrindo caminhos para inovações que podem impactar o cotidiano da população brasileira. Assim, o reformulado sistema da CAPES não é apenas uma mudança administrativa; é um passo importante para a construção de um futuro científico mais justo e efetivo.
Reflexões Finais sobre a Mudança na Avaliação Científica
Ao olharmos para a transformação promovida pela Capes na avaliação da produção científica, é inevitável sentir um sopro de esperança no ar. A ideia de priorizar a qualidade dos artigos em detrimento do impacto dos periódicos reflete uma maturidade que muito se esperava do nosso sistema de pesquisa. Estamos, de fato, diante de uma oportunidade de ouro para mudar a narrativa que tanto empurrou talentos e contribuições valiosas para as margens da academia.
Por um lado, essa reestruturação promete democratizar o acesso e a valorização do conhecimento produzido no Brasil, gerando um ambiente fértil para novas ideias e inovações. A valorização do conteúdo de cada artigo poderá, em última análise, consolidar uma cultura científica mais robusta e diversa, onde a qualidade prevalece sobre o prestígio do veículo. Contudo, como toda mudança, não está imune a desafios. A implementação eficaz das novas regras requer um alinhamento estreito entre todas as partes interessadas, além de uma fiscalização contínua para que a qualidade realmente seja o foco central.
É essencial, também, ouvir os diversos pontos de vista sobre essa mudança. Especialistas em diferentes áreas da pesquisa têm opiniões variadas, e acatar essas vozes será crucial para o sucesso dessa nova fase. O futuro da ciência e da educação no Brasil pode muito bem ser moldado a partir dessa inflexão; no entanto, será o diálogo e a colaboração entre os pesquisadores que realmente definirão o impacto dessa mudança. Portanto, sigamos atentos aos desdobramentos que estão por vir, sempre com a mente aberta e pronta para questionar, aprender e evoluir.