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Empresas podem ativar 5G de alta velocidade em todas as cidades do Brasil

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A tecnologia 5G chegou para transformar a conectividade no Brasil, e agora, a boa notícia é que a partir de segunda-feira, todos os 5.570 municípios do país estarão aptos a receber a ativação do 5G standalone, conhecido como o 5G “puro”. Essa mudança, promovida pela Anatel e pela EAF, marca um passo significativo na expansão da infraestrutura digital brasileira. Com a limpeza da faixa de 3,5 GHz, anteriormente utilizada para outros serviços, o Brasil fecha mais uma etapa do edital do leilão do 5G realizado em 2021, trazendo à população uma internet móvel de alta velocidade, que promete revolucionar a maneira como nos conectamos e interagimos no dia a dia.

O que é o 5G standalone?

O 5G standalone (SA) representa um avanço significativo na forma como as redes móveis são estruturadas. Ao contrário do modelo não autônomo (NSA), que depende da infraestrutura 4G para a comunicação de controle, o 5G SA é totalmente independente. Isso significa que ele opera com uma nova arquitetura de núcleo de rede, chamada de 5G Packet Core, que permite uma experiência de conectividade muito mais eficiente e com menor latência. O 5G SA foi projetado para suportar funcionalidades avançadas como a conexão de um número muito maior de dispositivos por quilômetro quadrado, a possibilidade de transmitir grandes volumes de dados de maneira rápida e confiável, e levar a experiências inovadoras, como a realidade aumentada e a Internet das Coisas (IoT).

Essa tecnologia é uma resposta às exigências contemporâneas de conectividade, onde a velocidade não é mais uma mera conveniência, mas uma necessidade essencial tanto para empresas quanto para indivíduos.

Como a ativação do 5G impacta as cidades brasileiras?

A ativação do 5G em todo o Brasil é como acender uma luz em uma sala escura — a mudança é imediata e transforma tudo ao nosso redor. Com o 5G, a velocidade de conexão será até dez vezes maior que o 4G, permitindo que as cidades se conectem de uma maneira nunca vista antes. Isso não só beneficiará usuários individuais, mas também representa uma oportunidade imensa para setores como saúde, educação e transporte. A telemedicina, por exemplo, pode se tornar mais acessível e eficiente, permitindo consultas remotas com qualidade de imagem e som superiores. Em áreas de difícil acesso, escolas poderão oferecer aulas online com a mesma qualidade que as instituições urbanas, diminuindo a lacuna educacional através da tecnologia.

Além disso, a integração do 5G facilitará o desenvolvimento de smart cities — cidades mais inteligentes. Vamos começar a ver um uso mais eficaz de recursos como água e energia, com sistemas que se adaptam em tempo real às necessidades da população. E o transporte público também pode se tornar mais eficiente, com ônibus e trens se comunicando entre si e com os passageiros, otimizando rotas e horários.

A importância da faixa de 3,5 GHz

A faixa de 3,5 GHz é fundamental para o funcionamento do 5G no Brasil. Esse espectro, que antes era utilizado por serviços de satélite e radiodifusão, está entre as faixas ideais para permitir a transmissão de dados de alta velocidade e a cobertura em áreas urbanas densas. A limpeza dessa faixa, concluída com 14 meses de antecedência, é um marco para a evolução das telecomunicações no país. Sem essa desregulamentação, a implementação do 5G em nível nacional seria algo mais complicado e demorado.

A faixa de 3,5 GHz pode oferecer velocidades de download que às vezes ultrapassam 1 Gbps em condições ideais, o que é uma verdadeira revolução em relação ao que temos hoje. Teoricamente, essa faixa pode atingir até 20 Gbps, o que abre um leque imenso de possibilidades de uso, desde experiências de entretenimento mais imersivas até a possibilidade de aplicar soluções de inteligência artificial em tempo real em diversos contextos.

Quais operadoras estão à frente dessa transformação?

As operadoras Claro, TIM e Vivo são as principais protagonistas nessa nova fase da conectividade móvel no Brasil. Elas fazem parte da Entidade Administradora da Faixa (EAF) e foram essenciais não só na liberação da faixa de 3,5 GHz, mas também na instalação de redes privativas e seguras para o governo. Essas operadoras têm investido substancialmente em infraestrutura para garantir que a transição para o 5G seja bem-sucedida e atenda a demanda crescente por internet de alta velocidade.

Cada uma delas está elaborando suas próprias estratégias para atingir a totalidade dos municípios conforme as exigências do edital, com prazos que se estendem até 2029. Além disso, elas estão se focando em inovações que não apenas atendam a necessidade do consumidor médio, mas também ofereçam soluções adaptáveis para setores como logística, saúde e segurança pública.

Comparação entre 5G e suas tecnologias predecessoras

Chegamos então à aquela velha pergunta: por que o 5G é tão mais impactante que o seu antecessor, o 4G? Vamos tentar fazer essa comparação. O 4G foi uma revolução, permitindo a criação de aplicativos de streaming e redes sociais como conhecemos hoje. Contudo, o 5G traz um novo patamar de velocidade e capacidade de conexão. Enquanto o 4G oferece velocidades de até 300 Mbps, o 5G usa técnicas de modulação mais avançadas, como o OFDM (Orthogonal Frequency-Division Multiplexing), para alcançar velocidades que podem ultrapassar 1 Gbps, alcançando até 20 Gbps em situações ideais.

Outra diferença marcante é a latência, que se refere ao tempo que leva para um dispositivo enviar uma solicitação e receber uma resposta. O 4G enfrenta latências de cerca de 50-100 milissegundos, enquanto o 5G pode reduzir essa latência a menos de 10 milissegundos. Isso significa que as aplicações que dependem de comunicação em tempo real, como carros autônomos ou cirurgias remotas, se tornarão viáveis e mais seguras.

Metas do edital do leilão do 5G e seus prazos

O edital do leilão do 5G, realizado em novembro de 2021, estabeleceu uma série de metas que representam um compromisso significativo com a expansão da conectividade no Brasil. Essas diretrizes foram organizadas em um cronograma detalhado que abrange as obrigações das operadoras vencedoras em relação ao atendimento de localidades em diversas condições. Para os municípios com população igual ou superior a 30 mil habitantes, por exemplo, o compromisso é atingir 100% da cobertura até 31 de julho de 2029. O planejamento é ambicioso: até 31 de julho de 2026, as capitais devem ter pelo menos uma antena para cada 15 mil habitantes, e até 2029, a mesma meta se aplica aos municípios com 30 mil habitantes ou mais.

A proposta também prevê o atendimento a 1.700 localidades não sede até 31 de dezembro de 2030, tarefa que deve ser cumprida sem escalonamento. Para isso, as operadoras precisam garantir que a estrutura de telecomunicações esteja pronta e acessível a todos os cidadãos.

Outro aspecto importante é o compromisso de investimento em infraestrutura para que a tecnologia 4G ou superior alcance 7.430 localidades, abrangendo tanto áreas urbanas quanto regiões mais isoladas. Isso inclui atender rodovias em todo o território nacional e conectar escolas públicas, aumentando a qualidade do ensino através de uma conexão estável e de alta velocidade.

Benefícios esperados com a implementação do 5G

Com o 5G em funcionamento, espera-se que haja uma verdadeira revolução na maneira como nos conectamos e interagimos com as tecnologias disponíveis. Em linhas gerais, a implementação dessa tecnologia promete:

  • Aumento significativo na velocidade: médias de até 1 Gbps, com potencial de chegar a 20 Gbps, alterando a forma como desfrutamos de conteúdo online, como vídeos em alta definição e jogos ao vivo.
  • Respostas quase instantâneas: O tempo de latência do 5G, que pode ser tão baixo quanto 1 ms, viabiliza aplicações que exigem comunicação em tempo real, como cirurgias remotas e veículos autônomos.
  • Maior capacidade de dispositivos conectados: O 5G poderá suportar até 1 milhão de dispositivos por quilômetro quadrado, permitindo o crescimento exponencial da Internet das Coisas (IoT), que integra até eletrodomésticos e automóveis a redes digitais.

Desafios para a expansão do 5G no Brasil

Apesar das promessas e benefícios, a jornada hacia a implementação do 5G no Brasil não é isenta de desafios. Entre os principais obstáculos estão:

  • Infraestrutura inadequada em áreas rurais: A desigualdade no acesso à internet entre áreas urbanas e rurais é uma preocupação. Muitas localidades ainda carecem de a infraestrutura necessária para suportar o 5G, exigindo um investimento robusto em torres e cabos.
  • Regulação e burocracia: O processo de aprovação para instalação de torres e antenas, além de outras regulamentações, pode atrasar a implementação do 5G. Trechos de rodovias e áreas de difícil acesso são mais sujeitos a esse tipo de entrave.
  • Educação e treinamento: Para que a tecnologia 5G seja utilizada de forma eficaz, é necessário um letramento digital, não só entre os usuários, mas também entre os profissionais que trabalharão com essa nova tecnologia.

Impacto do 5G nas áreas rurais e remotas

À medida que o 5G se propaga, o impacto em comunidades rurais e remotas tende a ser um dos aspectos mais significativos. Historicamente, essas regiões enfrentam desafios críticos em termos de conectividade, mas a nova tecnologia pode começar a mudar esse cenário.

A implementação do 5G pode facilitar o acesso à educação e à informação. Escolas e centros de saúde em locais isolados podem receber conectividade de qualidade, oferecendo cursos online e telemedicina. Isso não apenas melhora a qualidade de vida, mas também abre portas para oportunidades de desenvolvimentos econômicos.

Além disso, o 5G poderá impulsionar o agronegócio, permitindo a automação e gestão eficiente de recursos. Com a possibilidade de conectividade em tempo real, pode-se acompanhar dados sobre o solo, clima e mercados de forma mais efetiva.

O futuro da internet móvel no Brasil

Com todos esses avanços, o futuro da internet móvel no Brasil parece promissor, mas cheio de desafios. A expectativa é de que, aos poucos, o 5G não só amplie a conectividade, mas também promova inovação em setores como saúde, educação e agricultura. Contudo, o sucesso desta transição depende de um compromisso contínuo e colaborativo entre governo, operadoras e sociedade civil.

Considerações Finais: O que o Futuro Nos Reserva com o 5G

A chegada do 5G standalone ao Brasil é um marco não apenas na conectividade, mas também na forma como vislumbramos o futuro digital. A promessa de uma internet móvel com velocidades revolucionárias abre as portas para inovações que podem transformar nosso cotidiano, desde serviços de saúde mais eficientes até experiências imersivas em entretenimento e educação. Contudo, cabe refletir: estamos prontos para mitigar os desafios que virão acompanhados dessa revolução? O avanço da tecnologia deve ser balizado pela inclusão, garantindo que não apenas os centros urbanos, mas também as áreas rurais e remotas, usufruam desse benefício.

À medida que as operadoras se esforçam para atender à meta de cobertura total até 2029, a colaboração entre o setor privado e o governo será vital. O potencial do 5G é indiscutível, mas a sua implementação deve ser acompanhada de um compromisso social que priorize as necessidades das comunidades mais vulneráveis. Portanto, o que podemos esperar é um futuro onde a conectividade está nas mãos de todos, mas que, para isso, exige não apenas tecnologia, mas também um olhar atento para as desigualdades sociais. O futuro da internet móvel é promissor, mas precisa ser construído coletivamente, com responsabilidade e inclusão. Vamos observar com curiosidade e esperança, pois a verdadeira transformação começa entrelaçando tecnologia e humanidade.

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